Com as mãos no bolso e gingando Emerson passa na frente de um bar. Uma galera se reúne na porta do estabelecimento de Nivaldo. Uma jovem loura e de vestido vermelho lhe ultrapassa chamando não só a sua atenção, mas do bar inteiro que imediatamente assobia e solta piadinhas pra cima da guria que rebate as investidas com silêncio e indiferença, mas também com um nítido constrangimento. Emerson fica com dó da moça e se pergunta qual é a dos caras, a mina é casada e com certeza um deles sabe. A quebrada é cheia de hipócritas que odeiam talaricos, mas anseiam perdidamente em ser mais um. Emerson não sabe o motivo, mas uma culpa se instalou nele. Ele poderia ter repreendido aquela rapaziada sem noção. Mas quem Emerson quer enganar, ele também é homem, quem sabe tal defesa produziria comentários contra a sua índole e pior contra a índole da moça também. Pensa como sua namorada se sentiria se fosse alvo de semelhante episódio e como sua masculinidade seria ameaçada com isso... O que não lhe faria melhor do que eles, afinal.
Ela diz que eu sou teimoso, mas eu insisto que não. Ela que é teimosa por insistir que eu sou teimoso. Entre teimas e teimas resolvi tirar um tira-teima: quando eu digo que a amo ela responde com um amo mais e quando ela diz que me ama eu respondo com um amo mais. Nessa teima sem fim nunca saberemos quem ama mais quem. Os dois são tão teimosos que provavelmente se amam em igual medida: a medida do amo mais. A grandeza é dada pelo amor, o nome da unidade é amo mais e seu símbolo é o infinito (∞) [1] . [1] A parte matemática provavelmente está errada, mas nesse caso ela só serve para ilustrar o quão infinito é o amor de dois teimosos.

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