A fogueira está acesa. Gravetos vermelhos e azuis queimam em combustão constante. Gravetos cinzas tentam controlar o fogo. Debalde. O fogo arde sem parar. As opiniões são inflamadas gerando uma bipolaridade de guerra fria, algo que se poderia pensar ultrapassado. Ledo engano. Caça às bruxas. Interesses. Oposição. Governo. Bancos. Dólar. Economia. Políticas Sociais. Galhos secos de tão velhos que poderia se supor que já não inflamam mais. A mídia joga gasolina fazendo labaredas que escapam do espaço circunscrito das chamas. E assim sucessivamente a fogueira se transforma num incêndio de grandes proporções. Embaixo da fumaça, das labaredas, dos gravetos e de tudo que o fogo consome, as primeiras cinzas começam a aparecer, mas ninguém consegue reconhecer o bom senso, imóvel e carbonizado no meio dessa loucura fumegante.
Spike está deitado na grama molhada que separa as duas vias da Belmira Marin. Repousa a sua cabeça nas patas dianteiras esticadas no gramado. Coça suas costas com os dentes, tira a língua pra fora e levanta a cabeça acompanhando os ônibus que vão para os bairros localizados ao fim da avenida, Cocaia, Lago Azul, Prainha, Lucélia, Gaivotas. Mas aos poucos a Belmira vai se esvaziando. A quantidade de ônibus diminui em relação à quantidade de pessoas que começam a lotar e transpor a pé as calçadas com suas lojas de roupa, padarias, pet shops e mercados. Spike indiferente ao que acontece volta a deitar a cabeça sobre as patas. O terminal Grajaú está entupido. A linha para o Cantinho do Céu possui pelo menos cinco filas e filas enormes. Muitos já chegam e nem perdem tempo. Passam pelas catracas do Terminal e começam a procissão para casa. Uma caminhada de quarenta minutos da forma que acharem melhor, passos rápidos, passos lentos, observando o trânsito da avenida, conversando com o ...

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