A fogueira está acesa. Gravetos vermelhos e azuis queimam em combustão constante. Gravetos cinzas tentam controlar o fogo. Debalde. O fogo arde sem parar. As opiniões são inflamadas gerando uma bipolaridade de guerra fria, algo que se poderia pensar ultrapassado. Ledo engano. Caça às bruxas. Interesses. Oposição. Governo. Bancos. Dólar. Economia. Políticas Sociais. Galhos secos de tão velhos que poderia se supor que já não inflamam mais. A mídia joga gasolina fazendo labaredas que escapam do espaço circunscrito das chamas. E assim sucessivamente a fogueira se transforma num incêndio de grandes proporções. Embaixo da fumaça, das labaredas, dos gravetos e de tudo que o fogo consome, as primeiras cinzas começam a aparecer, mas ninguém consegue reconhecer o bom senso, imóvel e carbonizado no meio dessa loucura fumegante.
Ela diz que eu sou teimoso, mas eu insisto que não. Ela que é teimosa por insistir que eu sou teimoso. Entre teimas e teimas resolvi tirar um tira-teima: quando eu digo que a amo ela responde com um amo mais e quando ela diz que me ama eu respondo com um amo mais. Nessa teima sem fim nunca saberemos quem ama mais quem. Os dois são tão teimosos que provavelmente se amam em igual medida: a medida do amo mais. A grandeza é dada pelo amor, o nome da unidade é amo mais e seu símbolo é o infinito (∞) [1] . [1] A parte matemática provavelmente está errada, mas nesse caso ela só serve para ilustrar o quão infinito é o amor de dois teimosos.

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