Toda manhã a árvore no final da rua com seus braços frondosos tenta alçancar o azul bebê do céu. As crianças ao seu redor brincam de pipa e de bike num corre-corre pra lá e pra cá que tira toda a costumeira preguiça matinal. A represa aos fundos brilha com a luz do sol com o seu azul misturando-se com o branco. A sua superfície brilhosa cobre a manhã com um éter efêmero e gelatinoso que se desmancha rápido, mas permanece na lembrança, como um sonho. As casas no horizonte flutuam sobre às águas cristalinas compondo com suas cores um quadro vivo. Vermelhas como a terra, o barro e a poeira que remetem ao lugar de origem de seus moradores ou de suas próprias ruas recém-pavimentadas. Tudo é entrecortado por cores, formas, fios, paralelepípedos, pássaros, nuvens e sombras. Não existe certo ou errado, bem ou mal, bom ou ruim, deus ou diabo, só eu e você, e o que decidimos fazer com o que temos nas mãos.
Ela diz que eu sou teimoso, mas eu insisto que não. Ela que é teimosa por insistir que eu sou teimoso. Entre teimas e teimas resolvi tirar um tira-teima: quando eu digo que a amo ela responde com um amo mais e quando ela diz que me ama eu respondo com um amo mais. Nessa teima sem fim nunca saberemos quem ama mais quem. Os dois são tão teimosos que provavelmente se amam em igual medida: a medida do amo mais. A grandeza é dada pelo amor, o nome da unidade é amo mais e seu símbolo é o infinito (∞) [1] . [1] A parte matemática provavelmente está errada, mas nesse caso ela só serve para ilustrar o quão infinito é o amor de dois teimosos.

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