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Solidão A Dois

Um sad rock belorizontino reverbera no pequeno cubículo. Ele fuma deitado no colo dela. Ela lê enquanto acaricia os cabelos dele. O som alto das guitarras esconde o barulho da chuva que acaba com o mundo lá fora. A tempestade assopra as paredes que envolvem o pequeno mundo pueril deles, os protegendo das intempéries, indiferentes a realidade externa não percebem a implosão de dentro pra fora, da solidão que corrói e os ausenta mesmo estando corporalmente presentes. Antes dividir a solidão do que sufocar-se sozinho no vazio gélido insuportável da alma. De repente a temperatura no quarto cai, o cômodo parece mais frio que os ventos tempestuosos. Vão juntos para debaixo dos cobertores, adormecem dividindo a temperatura dos seus corpos, um calor que relaxa os músculos e as pálpebras num sono irresistível e profundo. Sonham o mesmo sonho onde polos extremos são ligados por uma linha tênue que ora os aproxima e ora os repele num movimento de vem e vai eterno e cíclico que é interrompido pelo despertar dela. Sozinha na cama a observar o lugar amassado onde ele estava. A saudade quase se anuncia, mas o cheiro do pó torrado no fogo desanuvia o sentimento que nem chegou a se espreitar para ser substituído pelo tédio da mesmice.

Ouça a primeira canção, Quase.

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Ela diz que eu sou teimoso, mas eu insisto que não. Ela que é teimosa por insistir que eu sou teimoso. Entre teimas e teimas resolvi tirar um tira-teima: quando eu digo que a amo ela responde com um amo mais e quando ela diz que me ama eu respondo com um amo mais. Nessa teima sem fim nunca saberemos quem ama mais quem. Os dois são tão teimosos que provavelmente se amam em igual medida: a medida do amo mais. A grandeza é dada pelo amor, o nome da unidade é amo mais e seu símbolo é o infinito (∞) [1] . [1] A parte matemática provavelmente está errada, mas nesse caso ela só serve para ilustrar o quão infinito é o amor de dois teimosos.

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